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“Carnaval não é bagunça” São João Batista, Xango, Salgueiro e Viradouro.

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Por – Leonardo Mattos |

24 de Junho de São João Batista, Xangô e Salgueiro!
O épico desfile do G.R.E.S. Acadêmicos do Salgueiro, no Carnaval Carioca de 2019, falou sobre Xangô, padroeiro da escola do Morro do Salgueiro!

Kao, meu Pai, Xangô! Kabecile! O texto começa um pedido de licença ao orixá da Justiça, do Fogo e das pedreiras, das rochas Nas religiões de matrizes africanas, principalmente na Umbanda – religião brasileira com fundamento sobre conceitos do catolicismo, da pajelança e de rituais africanos que se incorporaram, com o regime escravista, com a diáspora oriunda de Angola, Benin e Congo, principalmente.

A linha de Xangô é a sexta da Umbanda, de um total de sete. Xangô representa o espírito evoluído, maduro, de líder e conhecedor do bem e do mal. Xangô zela pelos estudos, abrindo os caminhos dos seus filhos e suas filhas para o sucesso profissional. Xangô é prosperidade, força, garra e vitória.

A fúria do tambor salgueirense, no Carnaval de 2019, mostrou uma escola de samba rica em cores da terra, do solo, das rochas. Em Geografia Física, o magma, isto é, um fluido viscoso que compõe o manto da Terra – camada abaixo da crosta terrestre, onde estamos – representa a matéria-prima das rochas. Quando ascende à superfície por meio dos vulcões ou falhamentos tectônicos, transforma-se em rochas ígneas ou magmáticas, com o basalto ou o granito.

Foto – Salgueiro Oficial

O basalto, decomposto, dá origem ao fértil solo de terra roxa que é encontrado, sobretudo, no sul de Minas Gerais, no Oeste do estado de São Paulo e no Paraná. Terras férteis que são usadas, desde o século XIX, para o cultivo de café e que fazem do Brasil o maior país exportador do chamado “ouro negro” do planeta. Segundo a mitologia dos orixás, 2020 está sendo regido por Xangô. Um ano de muitos acontecimentos, de muitas movimentações e, sobretudo, de justiça. Quando Xangô lança o seu machado, o Oxê, ao terreiro, a Terra toda treme. O machado denominado Oxê é o símbolo maior do orixá que é sincretizado com São João Batista, o santo católico presente nas festas juninas nos dias 24 de junhos de cada ano.

A origem das festas juninas resulta justamente do sincretismo religioso. Jesuítas, portuguesas, costumes indígenas e camponeses construíram, ao longo da História do Brasil, o que hoje conhece-se por Arraiá! Anarriê!
A origem das festas juninas ou festejo dos santos populares concentra-se, justamente, em junho que é o mês do solstício de verão astronômico no Hemisfério Norte, isto é, quando a chegada desta estação na Europa e do inverno astronômico, a estação fria, no Hemisfério Sul.

E, mais: a origem destas festas data de um período pré-cristão, do Norte do continente europeu, de uma tradição pagã, isto é, não cristã e de base clássica, fundada sobre a mitologia greco-romana que foi, então, cristianizada. Assim como a árvore de Natal, por exemplo.

Era um costume, também, dos festejos pagãos, da fazer voltas em torno de fogueiras no dia 24 de junho, que para os romanos, consideravam o dia mais longo do ano. No cristianismo, então, é o dia de nascimento de São João Batista. E acontece, exatamente a 6 (seis) meses do dia de nascimento de Jesus Cristo, embora a Bíblia não afirme a data exata de quando estes dois eventos aconteceram.

Xangô, festejado no mesmo dia 24 de junho, foi Rei na Cidade de Oyo e é representado como tal no Candomblé de raiz iorubá, além de suas diversas faces. Xangô teve ainda, como esposas, as divindades Oyá, Oxum e Obá. Oyá ou Iansã, a orixá dos ventos e das tempestades. Oxum, a orixá das águas doces e cachoeiras, riachos e rios e Obá, orixá guerreira que representa as águas revoltas dos rios, como as pororocas do Rio Amazonas, na floresta homônima.


Que Xangô e São João Batista neste 24 de junho, proteja o Brasil e o mundo de injustiças e mentiras. Num misto de origens pagãs, católicas, europeias, africanas, o povo brasileiro revestiu a festa com o toque tupiniquim. As danças de fitas, pau de sebo e fogueiras unem-se às roupas caipiras que fazem referência ao camponês brasileiro e às festas católicas e das religiões de matrizes africanas.

O animal sagrado e dedicado à Xangô é o cágado, chamado de Ajapá, em iorubá. Que com a mensagem de fé e amor à natureza dos orixás, a partir da importância que se dá para a flora e a fauna, possamos lutar para a preservação e o uso consciente dos recursos naturais, principalmente, no Inverno Brasileiro que concentra a maior parte das queimadas do ano. As mensagens são muitas e profundas.

Foto – Arquivo Pessoal


O Carnaval aglutina tudo isso. O Carnaval pode e deve fazê-lo. São João Batista é padroeiro da Unidos do Viradouro, escola de samba de Niterói/RJ e campeã do Carnaval Carioca de 2020. Assim como diz o samba da vermelho e branco do Leste Fluminense do Carnaval 2016: “São João Batista que me batizou, é o protetor da minha Viradouro” , que São João nos proteja e nos guarde, intercedendo pelo que é de todos e de todas por merecimento e luta. O Carnaval e a arte, por isso, têm o poder de fazer pensar, fazer emocionar e fazer transformar. O Carnaval e a arte são feitos do povo para o povo que este é a substância de todas essas festas.


O patrimônio cultural imaterial só sobrevive pelas tradições, ritos, costumes que se materializam no espaço em cores, desenhos, fé. O Salgueiro, brilhantemente, retratou o seu padroeiro no Carnaval de 2019, bem como a Viradouro, em 2016, e, como é de costume nesta coluna, o enredo da escola de samba é base para reflexões e apontamentos de base científica e cultural.

O CARNAVAL NÃO É BAGUNÇA! KAO KABECILE, XANGÔ! SALVE SÃO JOÃO BATISTA!

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