G.R.E.S. Portela

Em 1922, uma dissidência do “Quem fala de nós come mosca” decidiu fundar outro bloco para rivalizar com o de Dona Esther. Galdino Marcelino dos Santos, Antônio Rufino dos Reis, Antônio da Silva Caetano e Paulo Benjamim de Oliveira (conhecido como Paulo da Portela por morar na Estrada do Portela), fundaram o “Baianinhas de Osvaldo Cruz”. No ano seguinte, o bloco montou uma diretoria e adotou um estatuto. Porém, após desentendimentos internos, integrantes do “Baianinhas” decidiram se desligar e fundar um novo bloco carnavalesco.[10]

A versão adotada como oficial pela Portela é que no dia 11 de abril 1923, reunidos numa casa, onde também funcionava o Bar do Nozinho, na Estrada do Portela, número 412, Paulo da Portela, Antônio Rufino e Antônio Caetano fundaram o Conjunto Carnavalesco Osvaldo Cruz, que mais tarde, como escola de samba, receberia o nome de Portela. O bloco foi fundado com o preceito de brincar o carnaval com paz e alegria, evitando os confrontos entre blocos, característicos da época. Paulo da Portela foi escolhido o primeiro presidente.[17][18]

Controvérsia

Algumas fontes afirmam que a fundação do Conjunto Oswaldo Cruz ocorreu no ano de 1926, e que a data adotada pela Portela seria a de criação do Bloco Baianinhas de Oswaldo Cruz, considerado o embrião da agremiação por ter os mesmos fundadores.[19]

Nome, cores, símbolo e apadrinhamento

Águia da Portela é um dos momentos mais aguardados do carnaval carioca.[10][20] Na imagem, a águia do desfile de 2014
A Portela foi fundada como “Conjunto Carnavalesco de Oswaldo Cruz” (em 1923); depois renomeado para “Quem nos faz é o capricho” (em 1930) e “Vai Como Pode” (em 1931); até receber seu nome definitivo em 1 de maio de 1935.[21] No momento de renovar a licença da escola de samba para o desfile de 1936, o delegado Dulcídio Gonçalves considerou o nome “Vai Como Pode” como chulo e determinou que a escola só conseguiria a licença caso trocasse de nome. Após uma longa discussão entre Paulo da Portela e seus amigos, o próprio delegado sugeriu o nome Portela, em referência à Estrada do Portela, onde ficava a sede da agremiação.[10]

A escola tem como cores o azul e o branco, instituídos por Antônio Caetano em referência às cores do manto de Nossa Senhora da Conceição, padroeira da escola. O símbolo da agremiação é a águia. A ave escolhida por Caetano teria sido um condor, por sua imponência e por voar mais alto. Porém, as pessoas teriam interpretado o desenho como sendo uma águia, e a ave teve que ser adotada como símbolo.[10] Um dos momentos mais aguardados dos desfiles da Portela é saber como virá representada a águia.[20] Entre as mais lembradas estão a águia fantasiada de 1995 e a “águia redentora” de 2015.[22][23] Também são comuns citações à águia nos sambas da escola: 2001 (“Vai voar, minha águia, meu bem querer”); 2009 (“Lá vem minha águia no céu da paixão! / O azul que faz pulsar meu coração!”); 2010 (“Minha águia guerreira / Vai voar… Viajar!”); 2016 (“Eu sou a Águia, fale de mim quem quiser / Mas é melhor respeitar, sou a Portela”); entre outros. A Portela é chamada de “A Majestade de Samba”, apelido também citado em diversos composições da agremiação.[1]

Nossa Senhora da Conceição e São Sebastião são os padroeiros da Portela. Os santos foram escolhidos por Dona Martinha, baiana ligada ao candomblé, que batizou o Conjunto Osvaldo Cruz, logo após sua fundação, sendo escolhida por Paulo da Portela para ser a madrinha do bloco.[17]

Bandeira
A primeira bandeira da escola foi desenhada por Heitor dos Prazeres em 1929, quando ainda tinha o nome de “Quem nos faz é o capricho”. Consistia num retângulo azul, com um globo rosa ao centro; e ao lado esquerdo, o desenho de uma meia-lua cor de palha de seda.[24]

A bandeira definitiva da Portela foi desenhada em 1931 por Antônio Caetano, desenhista da Marinha e um dos fundadores da escola. Foi inspirada na Bandeira do Sol Nascente, usada pelo Japão até o final da Segunda Guerra Mundial, e posteriormente, adotada como bandeira naval da Força Marítima de Autodefesa do Japão. A bandeira possui 24 raios de cores intercaladas (12 azul-escuros e 12 brancos) partindo de um círculo azul, localizado próximo ao canto superior direito, em direção às extremidades do pavilhão, que tem forma retangular. Em cima do círculo, localiza-se o desenho de uma águia de asas abertas. A águia carrega uma fita com a inscrição “G.R.E.S. PORTELA”. Abaixo do círculo com o desenho, localiza-se a inscrição do ano de confecção da bandeira. O modelo de pavilhão criado pela Portela, com raios partindo de um círculo, lembrando o nascer do sol, posteriormente foi adotado pela maioria das escolas de samba.

1 thought on “G.R.E.S. Portela

  1. A Portela já nasceu vitoriosa e lançou tantas novidades no desfile das escolas de samba como alegoria e adereços , samba enredo falando sobre o tema do desfile e tantas outras novidades e foi na Portela que um rei e uma rainha de verdade visitaram uma escola de samba foi lá também onde Walt Disney visitou a Portela e criaram o Zé Carioca , se foi falar da Portela hoje não vou terminar , grande Majestade do samba .

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