G.R.E.S Acadêmicos do Salgueiro

As três escolas do Salgueiro não conseguiam ameaçar o domínio de Portela, Império Serrano e Mangueira. No carnaval de 1953, a Unidos do Salgueiro se classificou em 6.º; a Depois Eu Digo em 13.º; e a Azul e Branco em 21.º. Após a proclamação do resultado daquele ano, componentes das três escolas iniciaram uma campanha para unir as três agremiações, a fim de criar uma escola forte, que pudesse disputar os campeonatos com as agremiações mais tradicionais. O compositor Geraldo Babão desceu o Morro do Salgueiro cantando um samba composto por ele próprio cerca de um ano antes: “Vamos balançar a roseira / Dar um susto na Portela, no Império, na Mangueira / Se houver opinião, o Salgueiro apresenta uma só união (…)”. Junto à Babão, se reuniram componentes e as baterias das três agremiações, em um cortejo em direção à Praça Saenz Peña.[1][21] A partir de então, foram realizadas várias reuniões e diversos debates sobre a fusão das escolas do morro. A primeira reunião foi realizada em 25 de fevereiro de 1953. Na reunião do dia 27 de fevereiro do mesmo ano, foram escolhidas as cores e o nome da nova agremiação. Em outra reunião, no dia 2 de março, a Unidos do Salgueiro desistiu de participar da fusão. Os demais sambistas procuraram o patrono das três escolas, Antônio Almeida, que incentivo a união das outras duas agremiações.[23]

A Escola de Samba Acadêmicos do Salgueiro foi fundada em 5 de março de 1953, a partir da fusão das escolas Depois Eu Digo e Azul e Branco, acordadas em uma reunião na sede da Depois Eu Digo, no morro do Salgueiro. A Unidos do Salgueiro, que tinha como representante maior o sambista Joaquim Calça Larga, não concordou com a união e, por esse motivo, não participou da fusão. Com o passar do tempo, a Unidos do Salgueiro foi extinta e seus componentes ingressaram na Acadêmicos do Salgueiro, inclusive Joaquim Calça Larga, que se tornou um dos principais nomes da escola.[1][19]

Em uma nova reunião, realizada na sede da Confederação Brasileira das Escolas de Samba, na Rua Uruguaiana, número 113, foi eleita a primeira diretoria da escola, formada por Paulino de Oliveira (Presidente); Olímpio Correia da Silva, o “Mané Macaco” (Vice-Presidente); Eduardo dos Santos Teixeira (Presidente de honra); Antônio Almeida Valente de Pinho (Patrono); Alcides Nascêncio de Carvalho (Secretário); Djalma Felisberto, o “Chocolate” (Segundo-secretário); Pedro Ceciliano, o “Peru” (Tesoureiro); Manoel Vicente de Oliveira, o “Manoel Carpinteiro” (Segundo-tesoureiro); Durval Antônio Jesus (Procurador); Antônio José da Silva, o “Malandro” (Segundo-procurador); Manoel Bernardo, o “Cabinho” e Manoel de Souza Gomes o “Manelito” (Sindicância); Custódio Augusto (Presidente do Conselho Fiscal); João Batista dos Santos, o “Bitaca”, Mário José da Silva o “Totico”, Joviano de Oliveira e Manoel Laurindo da Conceição, o “Neca da Baiana” (Membros do Conselho Fiscal).[23]

Nome, cores e símbolos
Nome

O nome da escola foi escolhido em uma reunião realizada na sede da Confederação Brasileira das Escolas de Samba, no dia 27 de fevereiro de 1953, antes da reunião de fundação do Salgueiro. A reunião foi mediada por Oscar Messias Cardoso, presidente da Confederação. Ele próprio sugeriu nomear a agremiação de “Milionários do Salgueiro”. Paulino de Oliveira, presidente da Depois eu Digo, sugeriu o nome “Salgueiro Capital do Samba”. Pedro Ceciliano indicou “Unidos Acadêmicos”. Eduardo Santos Teixeira, presidente da Azul e Branco, propôs “Acadêmicos do Salgueiro”. Joaquim Calça Larga sugeriu “Academia do Salgueiro”. Manoel Vicente de Oliveira propôs “Voz do Salgueiro”. Também foram sugeridos os nomes “União do Salgueiro” e “Catedráticos do Salgueiro”. Após longa discussão, Joaquim Calça Larga apoiou o nome “Acadêmicos do Salgueiro”, que posto em votação, foi aprovado pelos demais.[24]

Alcunha

A escola é apelidada de “Academia do Samba”, enquanto seus torcedores são chamados pelo designativo “salgueirense”.[2][25]

Cores

Em reunião realizada no dia 27 de fevereiro de 1953, foi aprovada, através de votação, as cores verde e amarela.[24] Porém, após essa reunião, outras foram realizadas, no que as cores foram rediscutidas. O Salgueiro tem como cores o vermelho e o branco, escolhidas por Francisco Assis Coelho (Gaúcho), na reunião de fundação da escola, em 5 de março de 1953. A justificativa pela escolha e de que, na época, não havia escola com esta combinação de cores.[19][23]

Símbolos

O Salgueiro tem como símbolos quatro instrumentos de percussão: pandeiro, surdo de barrica, tamborim quadrado e afoxé de cabaça com fitas; além de uma baqueta representando os demais tambores surdos. Todos característicos da década de 1950.[6]

Bandeira
A bandeira do Salgueiro foi criada em 1956, por Pedro Ceciliano (Peru), na gestão do presidente Nelson de Andrade. Antes da oficialização, os pavilhões mudavam a cada ano, de acordo com o enredo da escola.[26] A bandeira oficial consiste em um retângulo formada por 16 raios, dispostos em cores intercaladas (8 vermelhos e 8 brancos), partindo do escudo da escola, no canto superior esquerdo, em direção às extremidades do pavilhão. O escudo do Salgueiro é formado por um círculo vermelho, onde ficam dispostos os símbolos da escola (pandeiro, surdo de barrica, tamborim quadrado, afoxé de cabaça com fitas e uma baqueta). Os instrumentos são circundados pela inscrição “G.R.E.S. Acadêmicos do Salgueiro” em letras brancas, maiúsculas, da esquerda para a direita, começando na parte central e inferior do círculo. Entre o início e o final da inscrição, na parte inferior do círculo, localiza-se o ano de confecção da bandeira. A bandeira sofreu transformações ao longo dos anos. Durante algum tempo, o escudo localizava-se ao centro do pavilhão. A partir do carnaval de 2006 foi retomado o desenho original.

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