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Uma guerreira da corte Leopoldinense.

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Por – Thiago Braga |

No ano de 1971, aos sete anos de idade, a pequena Glória Carneiro da Cunha dava os seus primeiros passos em uma caminhada orgulhosa ao lado do Grêmio Recreativo Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense. Hoje, carinhosamente conhecida pelos componentes da Imperatriz como Glorinha, essa verdadeira guerreira do carnaval acumula mais de quarenta carnavais ao lado da sua escola do coração. Antes mesmo que ela pisasse na quadra da agremiação, morando na Rua Paranhos, sua mãe já era uma integrante da Imperatriz Leopoldinense.

Hoje, participando ativamente do corpo da Harmonia, essa figura histórica das bandas de Ramos e Olaria revela ter como momento mais marcante em sua memória, o bicampeonato da Imperatriz no ano de 1981. “O teu cabelo não nega”, que na ocasião recebeu as cores e os traços de Arlindo, viria a conquistar também o campeonato do Grupo de Acesso em 2020, reformulado como “Só dá Lalá” sob a ótica de Leandro Vieira. E Glorinha estava presente para defender o pavilhão de sua escola mais uma vez. Desempenhando diferentes papéis ao longo das décadas, ela atendeu ao chamado de sua amada coroa prontamente. Já desfilou à frente da Swing da Leopoldina, já foi musa e até mesmo porta-bandeira da verde, branco e dourada.

Foto: arquivo pessoal

A inusitada situação teria ocorrido no ano de 1982, quando em uma reunião entre a presidência e o carnavalesco, teria sido apresentada à então jovem de dezoito anos a possibilidade de desfilar como segunda porta-bandeira. Faria dupla com Chiquinho, em seu primeiro ano na escola. Restando apenas dezesseis dias para o carnaval, Glorinha conta que não sentia-se confortável com a função. Sua decisão final seria tomada ao ser comunicada de que a Imperatriz iniciaria o desfile naquele ano com uma penalidade de dois pontos – o que não era real, mas apenas um engodo de Arlindo para convencê-la. Na ocasião do desfile, Glorinha levava um colã verde sob a roupa de porta-bandeira, e ao atingir a apoteose do samba, removeu a roupa. Soltou então os cabelos e tirou os sapatos, correndo para desfilar novamente. Ainda teve tempo de alcançar a bateria no setor 11, e de lá foi sambando até a última batucada.

Ao lembrar de tantas histórias e momentos vividos, é impossível não se emocionar. Quando indagada por esta coluna sobre os seus desejos para o futuro da agremiação, Glorinha recorda o caráter familiar da Imperatriz Leopoldinense, acenando para a confiança cultural do gresilense – como se denominam os componentes e torcedores da Imperatriz – nos caminhos pelos quais o trabalho foi conduzido até muito recentemente, pela figura atemporal do senhor Luiz Pacheco Drumond. Glorinha lembra ainda do recente trabalho de resgate que a Imperatriz realizou na ocasião de sua queda para o Grupo de Acesso, aproximando-se outra vez da sua comunidade e fortalecendo os laços de afeto com os componentes. Inclusive no setor da Harmonia, do qual participa com tanto empenho e paixão.

“Sabemos que tudo na vida tem um começo, meio e fim. Por isso devemos integrar e ensinar aos jovens, para que eles deem continuidade ao nosso trabalho e o samba nunca se acabe. O tempo é o senhor de tudo, e mesmo diante da incerteza, é necessário ter confiança e calma para aguardar as decisões da família Drumond. A união, a vontade e o respeito vão ser essenciais de qualquer modo, para que a Imperatriz possa garantir um futuro. Para si, mas também para os jovens sambistas que precisarão continuar o legado da nossa escola.” – Glorinha da Imperatriz.

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One thought on “Uma guerreira da corte Leopoldinense.

  1. Parabéns a essa pessoa que tão bem representa a nossa Imperatriz Leopoldinense.
    Nós da Torcida Nação Leopoldinense agradecemos todo o seu empenho junto a Imperatriz.

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