G.R.E.S. Imperatriz Leopoldinense

O farmacêutico Amaury Jório foi o mentor da Imperatriz Leopoldinense.[21] Após a extinção do Recreio de Ramos, do qual fazia parte, Jório teve a ideia de fundar uma escola de samba. Mas para que a nova agremiação tivesse força e não sucumbisse como o extinto Recreio, seria preciso agregar a nata dos sambistas da Zona da Leopoldina. Conhecido por sua habilidade política, Amaury convocou sambistas e foliões de outros blocos e agremiações da região, além de amigos seus, para uma reunião em sua casa, na rua Dr. Euclides Faria, número 22, em Ramos.[1] A Imperatriz Leopoldinense foi fundada numa sexta-feira, dia 6 de março de 1959, por Amaury Jório, Oswaldo Gomes Pereira, Arlindo de Oliveira Lima, Elísio Pereira de Mello, Agenor Gomes Pereira, Vicente Venâncio da Conceição, José da Silva (Zé Gato), Jorge Costa (Tinduca), Francisco José Fernandes (Canivete), Manoel Vieira (Sagui), Aloísio Soares Braga (Índio), Jorge Salaman, Manoel Hermógenes dos Santos, Arlindo de Oliveira Lima, Nair dos Santos Vaz, Nair da Silva, Claudionor Belizário, Zé Katimba, entre outros sambistas e foliões da região, e remanescentes do Recreio de Ramos.[22] Diferente da maioria das outras escolas, que têm suas origens em comunidades carentes, a Imperatriz surgiu em um local bem estruturado do subúrbio carioca. Fato que gerou um contingente de componentes de níveis sociais mesclados. Participaram de sua fundação tanto pessoas simples, quanto grupos de acadêmicos de alta escolaridade.[23]

Durante a reunião de fundação foi criada uma junta governativa que ficaria incumbida de legalizar a escola, criar seu regimento interno e convocar outros sambistas da região para participar dos segmentos da recém-criada agremiação (bateria, ala de passistas, ala de baianas, ala de compositores, etc). Na mesma reunião, foram escolhidos o nome e os símbolos da nova escola. Osvaldo Gomes Pereira foi eleito o primeiro presidente da Imperatriz, até que fosse convocada uma nova eleição. Amaury Jorio foi escolhido o secretário e Arlindo de Oliveira Lima, o tesoureiro.[20] No mesmo ano de fundação, a agremiação conseguiu o alvará de localização, fixando sua sede na casa de Amaury Jório, sendo a pioneira em tal feito.[24]
Nome, cores, símbolo e escola-madrinha

Nome
Como o objetivo da nova escola era reunir blocos e agremiações da região, Amaury Jório propôs que o nome representasse toda a Zona da Leopoldina. O nome “Imperatriz Leopoldinense” foi escolhido por sugestão de Manoel Vieira, sendo aceito pelos demais fundadores. No livro de ata da fundação da escola, consta que o nome da agremiação foi inspirado na Estrada de Ferro Leopoldina – que corta a região – e que, por sua vez, recebeu esse nome em homenagem a Imperatriz Maria Leopoldina de Áustria, a primeira Imperatriz consorte do Brasil.[3][25]

Cores e escola-madrinha
A Imperatriz Leopoldinense tem como cores o verde, o branco e o ouro. A escolha das cores provocou intensos debates na reunião de fundação. Vicente Venâncio conseguiu aprovar o verde e branco, em homenagem às cores de sua escola madrinha, o Império Serrano. Em 1966, o presidente Antonio Carbonelli instituiu a adição da cor ouro, tornando a Imperatriz, uma escola tricolor.[20][26][27]

Símbolo
O símbolo da Imperatriz é a coroa do Primeiro Reinado, período no qual a Imperatriz Maria Leopoldina de Áustria reinou no Brasil.[20] A coroa é presença constante nos desfiles da Imperatriz, seja na forma convencional ou de forma estilizada. Geralmente é apresentada em posição de destaque no carro abre-alas do desfile.[3][26]

Alcunhas
A Imperatriz Leopoldinense é conhecida como “GRESIL”, “Rainha de Ramos” e “Certinha de Ramos”, sendo este último apelido, dado por causa de seus desfiles técnicos.[9][19] Os torcedores da escola são chamados de “gresilenses”. O designativo foi criado por Amaury Jório, baseado na sigla GRESIL, formada pelas iniciais do nome oficial da escola de samba.[26]
Bandeira

Primeiro modelo (1959–1968)
O desenho da primeira bandeira da Imperatriz é de autoria de Agenor Gomes Pereira. O pavilhão tinha forma retangular, com a largura tendo o dobro do tamanho da altura. Consistia em um retângulo dividido em duas partes; a metade superior na cor verde-bandeira e a metade inferior em branco. O pavilhão era dividido por duas faixas. Na faixa de cima, de cor branca, a inscrição “IMPERATRIZ”, com bordado na cor verde-bandeira. Na faixa de baixo, de cor verde-bandeira, a inscrição “LEOPOLDINENSE”, com bordado branco. No centro da bandeira, em cima das duas faixas, o desenho de uma coroa – símbolo da escola. 11 estrelas douradas circundam coroa, representando os bairros da Zona da Leopoldina, sendo que uma estrela, em tamanho maior, representa o bairro de Ramos, berço da escola.[19][26]

Segundo modelo (1969–1972)
Em 1969, no seu retorno à primeira divisão do carnaval, a escola promoveu algumas mudanças em seu pavilhão. A bandeira passou a dividir-se em duas partes transversais; sendo a parte superior-direita na cor verde-bandeira, e a parte inferior-esquerda em branco. Duas faixas transversais cortam o pavilhão do canto superior esquerdo ao canto inferior direito. Na faixa de cima, de cor branca, as inscrições “G.R.” (Grêmio Recreativo) e “E.S.” (Escola de Samba). Na faixa de baixo, de cor verde-bandeira, as inscrições “IMPERATRIZ” e “LEOPOLDINENSE”. No centro do pavilhão, em cima das duas faixas, o desenho de uma coroa dourada, dividindo as inscrições. 10 estrelas douradas circundam a parte de baixo da coroa, representando os bairros da Zona da Leopoldina. No canto superior direito da bandeira, uma estrela dourada, de tamanho maior que as demais, simboliza o bairro de Ramos, o berço da Imperatriz Leopoldinense. Nesta versão, foi adotada uma pequena estrela dourada, ao lado esquerdo da inscrição “E.S.”, simbolizando o primeiro campeonato da Imperatriz, no ano de 1961, na terceira divisão do carnaval carioca.[26]

Terceiro modelo (1973–presente)
Para o desfile de 1973, foi realizada uma simplificação na disposição dos elementos, com o intuito de “limpar” o visual. A bandeira tem forma retangular, com a largura tendo o dobro do tamanho da altura. Consiste em um retângulo branco, com uma faixa transversal verde, que corta o pavilhão do canto superior esquerdo ao canto inferior direito. Ao centro da bandeira, em cima da faixa, o desenho de uma coroa – o símbolo da escola. Na parte superior da faixa, à esquerda da coroa, as inscrições “G.R.” (Grêmio Recreativo) “IMPERATRIZ”. Na parte inferior da faixa, à direita da coroa, as inscrições “E.S.” (Escola de Samba) “LEOPOLDINENSE”. Ao lado esquerdo da inscrição “E.S.”, há uma pequena estrela dourada, simbolizando o primeiro campeonato da escola, no ano de 1961. Abaixo da coroa, 10 estrelas douradas, representando os bairros da Zona da Leopoldina: Triagem, Manguinhos, Bonsucesso, Olaria, Penha, Penha Circular, Brás de Pina, Cordovil, Parada de Lucas, Vigário Geral e Ramos. No canto superior direito da bandeira, uma estrela dourada, de tamanho maior que as demais, simboliza o bairro de Ramos, o berço da Imperatriz Leopoldinense.

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